Arquivo de 1 de Outubro de 2007
“A Igreja em Fortaleza renova sua vida e missão”
Neste mês de outubro, precisamente nos dias 18 a 21, a Arquidiocese de Fortaleza estará reunida para a sua Assembléia Arquidiocesana de Pastoral. Será este um momento decisivo no processo que já desenvolve há dois anos, revendo sua caminhada eclesial e procurando orientações e definições para sua missão evangelizadora.
O processo foi enriquecido ainda mais por duas instâncias eclesiais, que estiveram na mesma dinâmica: a V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho em Aparecida, realizada de 13 a 31 de maio e a 19ª. Assembléia Regional de Pastoral em Tianguá, nos dias 16 a 19 de agosto passado.
Na própria Arquidiocese a participação das diversas realidades eclesiais (Regiões Episcopais, Paróquias, Áreas pastorais, Comunidades, Pastorais, Movimentos, Organismos e Instituições) fez acontecer uma avaliação das atividades pastorais e evangelizadores a partir do último Plano Arquidiocesano de Pastoral 2003-2007, numa dedicada visão da realidade, no discernimento da vida e missão da Igreja à luz da fé, questionando-se como “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nEle nossos povos tenham vida”, sobre as interpelações de nosso tempo e de nosso povo.
Após um extenso ver, um mais aprofundado julgar, agora a Igreja Arquidiocesana se reúne para, em comunhão eclesial com as demais Igrejas Irmãs no Ceará, no Brasil e no Continente, buscar um renovado agir pastoral e evangelizador para dinamizar sua missão e fidelidade a Cristo Senhor, único “Caminho, Verdade e Vida” (cf. Jo 14, 6)e fidelidade à pessoa humana, que espera a salvação, dom de Deus atuante em Cristo e Sua Igreja para toda criatura.
Há muito que agradecer, quando avaliamos nossa caminhada eclesial. A graça de Deus tem se manifestado de modo luminoso na vida de nossa Igreja, com tantas novas realidades que tem realizado. O objetivo assumido nestes anos de: “Evangelizar o povo de Deus da Arquidiocese de Fortaleza, para construir comunidades que reafirmem sua adesão total à missão de Jesus Cristo Libertador, na sua paixão pelo Pai e pelos pobres, edificando uma Igreja Samaritana, a serviço do resgate da dignidade humana, onde todos sejam sujeitos da construção de uma nova história a caminho do Reino de Deus definitivo”, sem dúvida, tem produzido frutos no crescimento das comunidades em número e vivência, no crescimento da religiosidade e na sensibilidade e tantas ações pela dignidade da pessoa humana e participação social na construção da sociedade fraterna.
Há também sombras e limites, erros e omissões das quais pedir perdão e conversão. Não foram por todos concretizadas as prioridades de formação, economia solidária e pastorais sociais, assumidas para a ação evangelizadora. São grandes as lacunas em nossa comunhão eclesial, em nosso compromisso de discípulos de Jesus, realmente apaixonados por Ele, e com Ele pelo Pai e pelos irmãos mais pobres. Nossa Igreja ainda fica muito a dever como seguidora do Bom Samaritano, que é afetiva e efetivamente sensível pelo homem caído à beira da estrada, espoliado pelos ladrões da vida e quase morto. E tantas e tantos mais limitações e pecados nossos!
Há uma missão renovada que nos espera. O clamor pelo Deus, único capaz de salvar a pessoa humana, ainda sobe ensurdecedor aos céus. Este clamor sai primeiro de dentro da própria Igreja, que recebe as primícias do Espírito de Cristo, mas ainda deve ser aberta às ofertas da graça e coerente com ela. Este clamor perpassa todo o mundo, o homem de hoje, a sociedade em que vivemos e que, apesar de tanto desejar a vida e a liberdade, torna-se cada vez mais prisioneira da morte e da escravidão. A ela desorientada, Jesus quer ser o Caminho. A ela confundida, Jesus se apresenta como a Verdade. A ela ferida de morte, só Jesus é a fonte da vida. Esta realidade clama por nossa missão. E como bem nos lembrou o Papa Bento XVI em Aparecida, na abertura da V Conferência continental: “O discípulo, fundamentado assim na rocha da Palavra de Deus, sente-se impulsionado a levar a Boa Nova da salvação a seus irmãos: Discipulado e missão são como os dois lados de uma mesma moeda; quando o discípulo está enamorado de Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só ele nos salva (cf. Atos 4, 12). Com efeito, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro”.
Mais uma vez é a nossa hora, é a hora da graça em que a Igreja de Deus que está em Fortaleza se renova em sua vida e em sua missão.
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano